
curta "memórias de saudade"
Para assistir copie e cole este link: youtube.com/watch?v=5hhFpyXR_jc
Esse trabalho surgiu como extensão da pesquisa em série "meu corpo-mapa como estratégia de vida: cartografando memórias afetivas na ilha do governador" e tomou corpo próprio. No entanto, mesmo como uma pesquisa independente, coexistiu com a criação da série: um trabalho alimentava o outro.
O curta metragem foi uma proposta de apresentação criativa para a 11ª Semana de Integração Acadêmica da UFRJ: nesse evento, os bolsistas precisam apresentar o desenvolvimento de suas pesquisas e normalmente vemos muitos trabalhos com slides. Como artista pesquisadora bolsista do projeto Laboratório Poético, minhas orientadoras sugeriram na época, que era possível realizar uma apresentação que escapasse dos moldes vistos em apresentações acadêmicas. Essa foi minha segunda jornada acadêmica em que produzi um curta metragem para a apresentação das minhas pesquisas.
Sobre o curta:
O que permanece das pessoas no mundo são suas histórias, no entanto, essas também só podem estar acesas e vivas se continuam sendo contadas e divididas. As histórias orais transmitidas a cada geração mantêm vivos, também, aqueles que já faleceram. Tendo essas questões como pontos de partida, desenvolvi esse trabalho artístico cultural como bolsista PIBIAC no Projeto de Ensino, Pesquisa e Extensão Laboratório Poético do Colégio de Aplicação da UFRJ. A proposta do trabalho foi realizar uma cartografia afetiva das memórias que envolvem a dimensão familiar e que estão circunscritas na Ilha do Governador a partir do registro fotográfico, de desenhos e de demais documentos pessoais/familiares.
Junto com Ecléa Bosi (2003), pude embasar a importância da memória oral de cotidiano como fator possibilitante para histórias individuais e entrelacei meu tempo histórico na Ilha com o da minha família, criando narrativas insulanas a partir do meu corpo e dos sentimentos de amor, luto, vida, morte. Entendendo que o corpo cartografa os espaços tendo como um dos vetores, os afetos, transformei o meu próprio corpo em corpo-mapa, que se põe disposto e em postura de constante atenção na ativação de memórias que retomam histórias contadas desde a minha infância. Assim, meu corpo passou a ser entendido e percebido como um lugar que posso visitar, receptáculo das memórias. Um corpo que ativa memórias e que é por elas ativado. Torna-se um corpo-cidade, corpo-caminho traçando percursos essencialmente pautados por questões emocionais, pelo território da Ilha do Governador e pelo exercício da memória, como aquela que tensiona e abraça o esquecimento e se põe como estratégia de vida.
Esse trabalho pretende criar composições que abordem a relação corpo-imagem-palavra. Proponho uma produção que consiste em fotografias que receberam intervenções/inserções de textos autorais, podendo se desdobrar em outras formas de criação. Esse trabalho reconstrói espaços da Ilha do Governador a partir da sutileza das memórias ativadas e vivenciadas pelo corpo.
2022
